Precisamos falar sobre Fake News

Precisamos falar sobre Fake News

Não é de hoje que mentiras são divulgadas como verdades, mas foi através das redes sociais que esse tipo de publicação se popularizou. 

Os motivos para que sejam criadas notícias falsas são diversos. Em alguns casos, os autores criam manchetes absurdas com o claro intuito de atrair acessos aos sites e assim faturar com a publicidade digital.

No entanto, além da finalidade puramente comercial, as fake news podem ser usadas apenas para criar boatos e reforçar um pensamento por meio de mentiras e da disseminação de ódio. Dessa maneira, prejudicam-se pessoas comuns, celebridades, políticos e empresas.

Um exemplo de fake news que tomou conta das redes e influenciou diretamente o calendário de vacinação infantil foi o de que algumas vacinas seriam mortais e teriam matado milhares de crianças. O impacto foi tão grande que doenças como o sarampo, do qual o Brasil era considerado livre, voltaram a acometer crianças.

Qualquer tipo de informação falsa, da mais simples a mais descabida, induz as pessoas ao erro. Em vários casos, a notícia contém uma informação falsa cercada de outras verdadeiras. É principalmente nessas situações que estão escondidos os perigos das fake news, e as suas consequências podem ser desastrosas.

Quando receber uma notícia, tome algumas precauções e reflita:

1) Pare e pense. Não acredite na notícia ou compartilhe o texto de imediato.

2) Ela lhe causou uma reação emocional muito grande? Desconfie. Notícias inventadas são feitas para causar, em alguns casos, grande surpresa ou repulsa.

3) A notícia simplesmente confirma alguma convicção sua? Também é uma técnica da notícia inventada. Não quer dizer que seja verdadeira. Desenvolva o hábito de desconfiar e pesquisar.

4) A notícia está pedindo para você acreditar nela ou, por outro lado, ela está mostrando por que acreditar? Quando a notícia é verdadeira, é mais provável que ela cite fontes ou dê links ou cite documentos oficiais e seja transparente quanto a seu processo de apuração.

5) Produzir uma reportagem assim que eventos acontecem toma tempo e exige profissionais qualificados. Desconfie de notícias bombásticas no calor do momento.

O que fazer na prática:

1) Leia a notícia inteira, não apenas o título;

2) Averigue a fonte:

  1. É uma corrente de WhatsApp ou de outra rede sem autoria alguma ou link para um site? Desconfie e de preferência não compartilhe;
  2. Tem autoria? É uma fonte legítima, na qual você já confiou no passado? Se não, talvez seja melhor não confiar. Pesquise o nome do veículo, autor ou da autora no Google e veja o que mais essa pessoa está produzindo e para qual veículo de imprensa. Além disso, preste atenção para averiguar se o site que reproduz a notícia está publicando só notícias de um lado político, por exemplo, mostrando que talvez haja algum viés ideológico;
  3. Há no texto referência a um veículo de imprensa, como se fosse o autor da notícia? Entre no site original do veículo de imprensa para verificar se a notícia está lá de fato;

3) Digite o título da notícia recebida no Google. Se for verdadeira, é provável que outros veículos de imprensa confiáveis a estejam reproduzindo. Se for falsa, pode ser que veículos de checagem já tenham averiguado o boato. Pesquise nos resultados da busca;

4) Pesquise, também, os fatos citados dentro da notícia. Ela se apoia em acontecimentos verificáveis? Por exemplo, se ela afirma que alguma autoridade disse algo, há outros veículos de imprensa reproduzindo o que essa autoridade falou? Tente procurar isso na internet;

5) Verifique o contexto, como a data de publicação. Tirar a notícia verdadeira de contexto, divulgando-a em uma data diferente, por exemplo;

6) Pergunte para a pessoa que encaminhou a notícia de quem ela a recebeu, se confia na fonte e se conseguiu checar alguma informação;

7) Recebeu uma imagem que conta uma história? É possível fazer uma busca “reversa”, por meio da imagem, e não por texto, e verificar em que outros sites ela foi reproduzida, o que pode dar pistas de sua veracidade. Salve a foto no seu computador e a suba no seu mecanismo de busca ou cole o url dela nesse navegador:

https://images.google.com/

Se estiver no celular, tente neste site independente do Google: https://reverse.photos/

8) Recebeu um áudio ou um vídeo com informações? Tente resumi-las e procurá-las no Google. Exemplo: há  um áudio dizendo que no dia seguinte haverá greve de ônibus. Procure no Google: “greve de ônibus” junto com a data. Outra opção é buscar no Google: “áudio greve de ônibus WhatsApp”, por exemplo. Essa busca pode resultar em um desmentido de uma agência de checagens de notícia, se ela não for verdadeira, ou em uma notícia real de algum órgão de imprensa, se for verdadeira;

9) Números: a notícia cita números de pesquisas ou de outros dados? Tente procurá-los isoladamente para checar se fazem sentido.

Fontes:  CNJ (Conselho Nacional de Justiça), BBC, Factcheck.org, mundoeducacao.uol.com.br

 

 

Mais que formação, é transformação!

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