Reflexões da Quarentena por Maria Amália Buchele

Reflexões da Quarentena por Maria Amália Buchele

Diário de uma quarentena.

Os relógios deram 0 hora. 2020 despontou lá no céu. A esperança se renovou.
– Feliz ano novo, brindam os amigos na festa à beira mar.
Novo ano! Vida que se renova. Sonhos a flor da pele. Nasceu mais um ano novo. Nasceram 12 novos ciclos de vida e novas experiências.
Janeiro é mês de praia.
Fevereiro, do carnaval e início das aulas. Momento cheio de expectativa. Nova escola. Mesma escola. Rever amigos ou fazer novos. Material com cheiro de novo.
Na escola tivemos reuniões pedagógicas e muito café. Houve discussões sobre aprendizado, métodos novos de ensino, troca de experiência, planejamentos.
Pronto!
Iniciamos as aulas! Pátio cheio. Professores. Alunos. Cantina. Mochilas sobem e descem as escadas. Bateu o sinal. Atenção! Vamos para sala de aula. Apostila e cadernos abertos. Todos em sala.
Mas, quando entramos no mês de março tivemos a notícia de que na China um vírus infectou a todos. Por lá uma quarentena foi instaurada. ? Medo por lá. Medo por aqui. Medo global. E quando menos esperamos o vírus embarcou com os seus hospedeiros e viajou pelo mundo: Itália, Espanha, Portugal, USA. E quando percebemos ele estava ao nosso lado.
Tudo fechou por aqui também. Estamos em casa. E agora?!
Como iremos ficar? O que vamos fazer? Passado o primeiro susto adaptações foram feitas.
Vimos os médicos atentos. Vimos lojas fechadas e pessoas perderem o emprego. Vimos os supermercados medindo a temperatura daqueles que entravam para comprar comida. Vimos hospitais de campanha serem construídos. Somente serviços essenciais poderiam funcionar presencialmente.
E agora? E eu? E nós? E meu trabalho!? Sou professora. Onde entro nisso tudo!? Por whastapp estávamos em contato: eu e a escola. Soube que a Lisiê não parou e escarafunchou por ai até achar uma saída. Ela estudou muito. E o Guroo voltou a funcionar à distância. Eis que as reuniões pedagógicas foram retomadas. E a partir delas muitas questões: como fazer as aulas funcionarem? Como trazer os alunos? Qual a melhor maneira de passarmos a matéria? Será que seremos entendidos? Nos unimos e fomos estudar. Houve troca de experiência e muitos ensinamentos. Estamos prontos!? Bom, tá na hora. Iniciamos as aulas.
Todos estavam em sala. Alunos e professores aprendendo juntos.
Todos juntos fazendo a diferença. As aulas seguiram. Houve dias difíceis e dias melhores. Mas a cada nascer do sol há um novo dia e novos ânimos.
Seguiram as aulas: chamada. Explicação. Dúvida. Alunos. Professores. Material. Participação. Troca. Diálogo. Prova. Nota. E os meses foram passando. Finalizou-se um bimestre, outro começou. Nossa, já estamos em abril!! Reorganizacões foram feitas. Alguns replanejamentos necessários. Mais aprendizado!
Bateu o cansaço. Seria só em mim? Será que todos sentem a agonia pela vida como está? Queremos sair. Quero sair! Sol, cadê você!? Quero minha vida de volta! Ops! Dor. Bolsa rompida. Nasceu o Frederico. Tô em licença maternidade. Me afastei da sala de aula, jamais da escola.
O Guroo segue. É referência pela cidade com o seu planejamento EAD. Quanto orgulho! Afinal, faço parte do time mesmo que hoje à distância.
Que ano! Quando imaginaríamos isso lá na festa à beira mar em que comemoramos o ano novo!!!?? E chegou maio. E na sequência junho bateu à porta. Respiro e me lembro do ano novo. Penso na esperança que sempre se renova. Nos sonhos planejados e percebi que sou mais forte e determinada do que poderia imaginar. Sigo em frente. Sigamos em frente.
Vai passar!
Logo vai passar.

Por Maria Amália Buchele, Professora Guroo.

Mais que formação, é transformação!

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