O tatuador de Auschwitz

O tatuador de Auschwitz

No último dia 1 de agosto, a página DW Brasil publicou uma notícia histórica: “Poloneses celebram os 75 anos do Levante de Varsóvia. A celebração é pela vida, e o mundo inteiro precisa celebrar!” Em 1 de agosto de 1944, os habitantes da capital polonesa insurgiram-se contra a ocupação nazista marcando sua autoimagem. Foram muitas lutas, muitas guerras, muitas mortes. E foi em homenagem a todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial que se desenvolveu uma atividade com os 8º’s Anos da nossa escola, a partir da leitura da biografia de Lale Socolov, intitulada O tatuador de Auschwitz. A obra conta a história de um judeu que sobreviveu ao campo de concentração, para onde foi mandado nesse período. Lá ele conheceu aquela que seria sua futura esposa, Gita Fuhrmannova. Uma história emocionante, que além de tratar dessa biografia de grande valor histórico, a professora da disciplina de Língua Portuguesa, Fernanda Jardim, solicitou aos alunos que buscassem também outros relatos de judeus sobreviventes da Guerra e que tivessem vindo recomeçar suas vidas no Brasil. Foi então que diversas histórias de vida foram compartilhadas, inclusive a de uma judia romena que mora em São José, na Grande Florianópolis, a saber, Gabriela Schwartz Heilbraun, prisioneira de Auschwitz-Birkenau. 

Todo esse compartilhamento trouxe a todos ainda mais empatia pelo outro, proposta de nossa escola, uma vez os alunos foram convidados a tentarem se colocar no lugar do judeu e da judia pesquisados, narrando, em uma carta pessoal, minutos, horas, dias, meses, anos, do dolorido cotidiano dessas pessoas. Após concluída a produção textual, cada aluno pôde escrever a última versão do seu texto em um papel envelhecido – em sala de aula, pela turma -, assinando com o nome do próprio judeu, para, então, ser pendurado em uma cerca de arames semelhante às cercas que rodeavam Auschwitz II, na Polônia. A exposição foi montada no 3o andar, onde fica a Biblioteca.

Por que as cartas? O fim da Guerra, aos poucos, foi transformando os campos de concentração em museus da memória humana. Cartas enterradas lá e posteriormente encontradas revelam a dor de seres humanos maltratados por seus iguais. Esse capítulo na História jamais pode ser esquecido, para que nunca mais ninguém sequer pense em tratar seu próximo como alguém inferior a si. Foi por meio desta marcante e importante atividade literária que nossos alunos ficaram marcados para sempre, além de mais bem preparados para aprenderem o que de fato se passou na Segunda Guerra. Nosso respeito e homenagem a todos aqueles que foram vítimas da arrogância humana.

Mais que formação, é transformação!

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