Cartas Na História

Cartas Na História

O professor Big (disciplina de História), assistindo ao filme “Cartas do Vietnã” (1987)/”Dear America: Letters Home from Vietnam”, inspirou-se e me convidou (professora Mali, de Redação) para elaborarmos um projeto textual.

Convite aceito e mãos à obra!

O Big chegou nos 2º Anos do Ensino Médio e propôs aos alunos que escrevessem uma carta com viés histórico endereçada a um parente, a uma instituição ou a um jornal.

A carta, segundo os direcionamentos do projeto – todos eles postados no class – deveria ser escrita em duplas ou trios e ter como pauta os temas referenciados abaixo (já estudados na disciplina de História ao longo do ano), sendo que os grupos deveriam escolher apenas uma das temáticas apontadas.

  1. Cartismo.
  2. Ludismo.
  3. Era Napoleônica.
  4. Independência (Qualquer região da América).
  5. Unificações (Alemã, Italiana, ou como um colono migrando da região).
  6. Primeira Guerra Mundial.
  7. Segunda Guerra Mundial.
  8. Holocausto.
  9. Criação de Israel (e seus conflitos).
  10. Cortina de Ferro.
  11. Corrida espacial / corrida armamentista.
  12. Queda da URSS.
  13. Revoltas Regionais – Brasil.
  14. Revolução Constitucionalista de 1932 – Brasil.
  15. Criação de Brasília.
  16. Milagre Econômico e seus desdobramentos.
  17. AI – 5.

 

Nessa linha de reflexão, o trabalho tinha por objetivo a pesquisa documental na produção da historiográfica com base na fonte escrita: a carta – aos moldes de Pero Vaz de Caminha e a famosa Carta do Descobrimento. O uso das origens históricas dá uma maior percepção e compreensão dos fenômenos da História, uma vez que se deve, ao escrever a carta, analisar a natureza da fonte e o seu conteúdo, já que ambos são resultado de influências, embates e disputas políticas, sociais, religiosas e econômicas. Cabia ao grupo pesquisador entender o processo de interpretação, inferir sobre os fatos, dados, informações, discussões e análises acerca do tema pesquisado.

Mas, onde entra a disciplina de Redação nisso tudo? Bom, quando falamos em gêneros textuais, não nos detemos somente nos textos literários, mas sim em todos aqueles da língua, basta que eles comuniquem algo. Assim, quando percebermos que o texto está em todo lugar, vemos a sua interdisciplinariedade. Ou seja, a redação anda de mãos dadas com todas as disciplinas, num processo de aperfeiçoamento do repertório sociocultural. Isto é, para realizar esse tipo de trabalho com a língua portuguesa, o professor precisa ter consciência da diferença entre saber usar uma língua, adequando-a convenientemente a contextos e saber analisá-la, tendo conhecimento de conceitos sobre sua estrutura e funcionamento e a nomenclatura histórico-gramatical correspondente. E também convém lembrar que não podemos mais negar a importância da interdisciplinaridade nos dias de hoje em sala de aula. 

Outra questão relevante e inovadora do projeto refere-se à correção das cartas. Em primeira instância, deve-se saber que a correção será rigorosa, já que temos dois corretores: 1. a professora de Redação (Mali) fica responsável pela correção do texto propriamente dito; 2.  o professor de História (Big) fica responsável pela correção dos aspectos históricos existentes na carta. Mas, as correções serão individuais e sigilosas, ou seja, um não terá conhecimento da nota do outro enquanto os textos são corrigidos. Finalizadas as correções, haverá uma planilha com as notas, cujo resultado final será a média das duas. Mas, com o intuito de já aproximar os alunos das correções textuais dos vestibulares, poderá existir uma terceira correção, ou seja, se houver uma discrepância de mais de 1,5 ponto entre as notas, as cartas passarão por outra correção. 

Enfim, esperamos que esta atividade faça com que nossos alunos reflitam sobre os processos históricos e percebam a sua ciclicidade. Quanto ao processo ensino-aprendizagem, ele não pode nem deve ser fragmentado como se as disciplinas fossem uma caixinha isolada, daí a importância de elas caminharem paralelamente.

A história não se resume à simples repetição dos conhecimentos acumulados; ela deve servir como instrumento de conscientização dos homens para a tarefa de construir um mundo melhor e uma sociedade mais justa.

Mais que formação, é transformação!

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