Terra Papagalli

Terra Papagalli

E se você fosse deixado para trás numa terra desconhecida, na companhia de alguns amigos, entre habitantes que não falam sua língua, não vivem seus costumes, não comungam da mesma religião e não seguem nenhuma de suas leis? Ora, não é tão difícil de imaginar tal situação, basta lembrar da época das Descobertas dos portugueses no início do século XVI quando estiveram no Brasil.

Depois de ler A carta de Pero Vaz de Caminha, os alunos dos s Anos do Ensino Médio divertiram-se com as aventuras de Cosme Fernandes, o Bacharel de Cananeia, personagem principal de Terra Papagalli, escrito por José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta. Seria desrespeitoso chamar de “livro”, já que encontramos nas quase duzentas páginas um diário de viagem – muito comum entre os cronistas do descobrimento -, uma carta e um dicionário da língua que falavam dos tupiniquins, além de um bestiário de deixar qualquer amante dos animais (fantásticos?) impressionado, pois é no Liber Monstrorum de Diversis Generibus que encontramos o registro de um animal chamado “zepardo”, o qual infelizmente não existe mais, pois, segundo Cosme, quando estava com muita fome, era comum devorar-se, e isso explica a extinção.

 

Com base histórica, os autores criaram cenas e situações fictícias tão bem amarradas que as intertextualidades (quase) nos levaram a crer que o Bacharel existiu. Foi fácil para os alunos notarem semelhanças com A carta de Pero Vaz de Caminha, os estudos literários dentro do Quinhentismo – Padre José de Anchieta, assim como Cosme Fernandes, que criou um dicionário tupiniquim –, e também um trecho da História da Província de Santa Cruz, de Pero Magalhães de Gandavo, escrita em 1578, que traz a informação acerca de três consoantes que faltavam na língua dos nativos: F, L e R, por isso, segundo o cronista, os tupiniquins não tinham fé, lei  e nem rei, bobagem esta rapidamente desmitificada em Terra Papagalli.

Com o pomposo nome de Narração Para Preguiçosos Leitores Da Luxuriosa, Irada, Soberba, Invejável, Cobiçada e Gulosa História do Primeiro Rei do Brasil ou Terra Papagalli, essa obra é leitura obrigatória – por assim dizer – para quem curte história do Brasil, para quem gosta de encontrar referências e intertextualidade nas entrelinhas.

Mais que formação, é transformação!

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